O governo federal e o caos

Julho 28, 2007 at 3:26 am | In brasil, nerdices, problema | 11 Comments
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Como um morador de São Paulo e um cidadão que passa em frente ao local do acidente frequentemente, não pude deixar de escrever sobre isto. Este não é um post com fotos dos corpos mutilados do acidente, muito menos de alguém contando uma história do conhecido do conhecido do meu primo que quase morreu no acidente. É apenas um espaço para pensar.

Levei um pouco mais de uma semana depois do acidente para escrever essas bobagens, simplesmente por achar que tudo estaria um “pouco melhor explicado”. Me enganei. Nada está resolvido e nada parece que vai ser resolvido. Ninguém resolveu nada e ninguém quer resolver nada.

Tudo começou com o acidente em si. Pessoas morreram, pessoas choraram e algum tempo depois o Presidente já proferia suas indiferentes palavras. Aliás, agora todo mundo está entendido de aviação: “Se a pista tivesse grooving, o acidente poderia não acontecer.”, “A pista estava inadequada para pouso, tinha uma lâmina de 3 milímetros de água!”. Ninguém sabe nem ao certo o que é o grooving, muito menos conseguem medir a espessura de água que estava na pista a olho nu e já saem falando suas besteiras por aí. Bem, vamos ao que interessa.

Alguns dias depois do acidente, quando os ânimos já estavam tentando se acalmar, era hora de procurar a caixa-preta. Para quem não sabe, o pessoal encarregado de procurar a caixa-preta e mandá-la para os EUA são os militares da Aeronáutica brasileira. Dois dias depois, surge nos noticiários nacionais que o que mandaram para os EUA não era uma caixa-preta. Vamos levantar uma pergunta simples: será que o pessoal da Aeronáutica (aeronáutica, para quem não sabe, é um órgão militar que trabalha com aviões) não sabe o que é uma caixa-preta?

O CREA está mandando um email para os engenheiros de São Paulo falando sobre o acidente (CREA é o conselho dos engenheiros, arquitetos e agrônomos). Nesse email, eles dizem que a pista do acidente estava sendo reformada e que ela não tinha o tal do grooving. Como a pista tinha passado por um período de reformas algum tempo antes, eles tinham que esperar 45 dias para fazer o grooving, prazo que ainda estava sendo cumprido. A decisão de abrir a pista que não deveria ser aberta foi, portanto, da Infraero, que assumiu a responsabilidade de tudo.

Mais algum tempo se passou e outra palhaçada apareceu na mídia. O assessor especial do presidente da República, Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar fazem um gesto obceno. Para esclarecer, vou explicar. Ambos viram na televisão que surgira uma hipótese de que o acidente fora causado por uma falha do avião/TAM, o que poderia tirá-los da confusão. Pronto, os dois decidiram comemorar com os gestos de “Se fuderam” e “Chupa negão”, respectivamente.

Por fim, a caixa-preta foi aberta e seu conteúdo mágico revelado, porém ela não será de domínio público por decisão dos integrantes do Governo Federal do Brasil. Isso tudo me levantou algumas questões:

Será que estão escondendo alguma coisa?
E o presidente Lula vai sair ileso DE NOVO perante todas esses indícios de incompetência dos órgãos federais (Aeronáutica, assessores, Infraero)?

PS: Nem citei a frase da Marta Suplicy. Queria ver mandarem ela para uma ilha deserta ouvindo uma musiquinha do Xupla num volume prejudicial ao ouvido humano pra ver se ela “relaxa e goza”.

Finalmente, Gentoo no laptop

Junho 23, 2007 at 3:23 pm | In gentoo, kde, linux, nerdices | 4 Comments

gateway

Depois de muito enrolar e hesitar para por o Gentoo no notebook, aqui estou eu. Consegui instalar o 2007.0 no meu Gateway MX6453 sem grandes problemas. Sem dúvida, o maior problema foi saber o que habilitar e desabilitar, como fazer tudo funcionar.

O MX6453 é uma máquina relativamente nova da Gateway, com processador Turion64 X2, 2GB de RAM e um cartão de vídeo da ATI Xpress 200M - uma placa especial para laptops. O lspci completo da minha máquina pode ser encontrado no post sobre o Ubuntu, assim como no arquivo que diponibilizei no fim do post.

Instalei a versão i686 do Gentoo ao invés do AMD64, e quem sabe se eu julgar necessário, no futuro instalo a versão AMD64. Por hora ficarei com a i686 mesmo, que está muito rápida. Segundo alguns benchmarks que andei vendo por aí, a diferença entre amd64 e i686 não é grande, nem considerável para um usuário desktop.

Estou fazendo este post, na verdade, pra documentar a instalação do Gentoo Linux 2007.0 no hardware apresentado. Disponibilizo, também, um tarball que contém alguns arquivos de configuração que criei para instalar o Gentoo aqui, entre eles, um make.conf adaptado prum desktop-laptop com suporte à formatos de áudio/vídeo bastante populares (KDE, windows codecs, mp3 etc), meu xorg.conf e o config do meu kernel, em que habilitei todos os componentes deste Gateway.

Para quem acaba de entrar no navio, seguem algumas páginas que usei pra configurar os dispositivos do notebook no Gentoo..

Bem..fica a documentação, quem sabe uma hora transforme isto numa página com mais informações ou mesmo arranje um tempo pra formatar o post pro Gentoo Wiki mais com mais detalhes.

Screenshots (KDE 3.5.7 on Gentoo 2007.0)

Baghira Dark Plastic + KDE

Gentoo - primeiros cumprimentos

Abril 11, 2007 at 8:48 pm | In linux, nerdices | 1 Comment

X

Estou me divertindo com o Gentoo há uma semana e o meu pensamento é: “Putz, não sei nada de linux”. O que no antigo Slack parecia tarefa rotineira, no Gentoo não sei nem por onde começar. Quando me deparei com os primeiros problemas com o Gentoo (coisas como falta de atenção na hora da instalação), não fazia a mínima idéia de como resolver.

Mais, a instalação é super-demorada. Estou há 5 dias brincando (cerca de 4 horas diárias de dedicação) e a instalação de programas ainda não acabou. Agora, tenho um ambiente X11 (7.1) com fluxbox rodando, o driver da nvidia instalado e fluxbox. O sistema é rápido, muito rápido. O Gentoo trabalha com código-fonte, isso significa que o sistema inteiro é compilado e otimizado para sua máquina. Lembra bem a propaganda do Itaú, é realmente “feito para você” (uma pena que eles não queiram otimizar o saldo da minha conta bancária).

Percebi que a questão de troubleshoot no Slackware é bastante complicada. A falta de padronização de certas coisas, adoção em massa de pacotes de terceiros e a reduzida comunidade internacional que se consolidou ao redor do Slack são os motivos que fazem com que alguns probleminhas no Slackware sejam praticamente impossíveis de sanar. Um exemplo é o synce (um programa pra fazer o Linux se comunicar com os Pocket PCs), que compilei perfeitamente no Slack, porém nunca funcionou.

Resolver algum problema, escrever algum arquivo de configuração nunca foi tão fácil. Sempre que precisei, achei as respostas em fóruns, mail-lists, wiki ou então no handbook via Google. A documentação é vasta e precisa, veja por exemplo como instalar e configurar o synce para sincronizar pocket pc com o Gentoo usando o Kontact.

É um sistema novo, com peculiaridades próprias e um sistema de gerenciamento de pacotes que nunca vi similar. Só lamento que, bem na semana em que o Patrick Volkerding liberou o xorg7 e o gcc4 oficial pro Slackware, eu tenha aderido ao Gentoo.

emerge bed && sleep a lot!

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